POR O GLOBO
21/08/2014
Líderes negros querem troca de promotor branco no caso Brown
Responsável pelo processo é acusado de ter relações com a polícia
Justiça. Manifestante põe a
neta deitada numa simbólica linha de vítima morta desenhada no chão, em
protesto na Promotoria de Saint Louis - Robert
MacPherson/AFP
FERGUSON — Um corpo de
jurados começou a analisar, ontem, se vai ser aberto processo contra o policial
Darren Wilson, acusado de matar o jovem negro Michael Brown, de 18 anos, na
tarde do penúltimo sábado, 9 de agosto, na cidade de Ferguson, no estado do Missouri.
Wilson, que é branco, é acusado de racismo pela população local,
majoritariamente negra, o que deflagrou protestos que já duram mais de dez
dias. Do lado de fora da Promotoria do condado de Saint Louis, que engloba
Ferguson, manifestantes oraram e pediram que o promotor encarregado do caso,
Robert McCulloch, renuncie. Líderes negros citam profundas conexões familiares
do promotor com a polícia local, o que, segundo eles, questiona a
imparcialidade de McCulloch. Também ontem, o procurador-geral dos EUA, Eric
Holder, reuniu-se com a família de Michael, moradores de Ferguson e
autoridades, e prometeu um processo justo.
Em Saint Louis, dezenas de
policiais vigiavam a entrada principal da promotoria. O edifício foi envolto
por uma faixa amarela para impedir o acesso não autorizado. O pai, a mãe, o
irmão, o tio e o primo de McCullouch trabalham ou trabalharam para o Departamento
de Polícia de Saint Louis. E seu pai foi assassinado quando atendia uma
ocorrência que envolvia um suspeito negro. McCulloch, que é branco, tem
insistido que os antecedentes não vão influir na condução do processo de Darren
Wilson. Democrata, ele foi eleito para a promotoria em 1991 e tem reputação de
ser duro com o crime. De acordo com o promotor, a decisão não deve ser
anunciada antes de meados de outubro. A população pressiona para que Wilson
seja acusado formalmente.
Há diferentes relatos sobre a
morte de Michael Brown. Segundo a versão das autoridades, ele teria sido
abordado na rua e tentado roubar a arma de Wilson ainda dentro do carro de
polícia, quando um tiro teria sido disparado. Algumas testemunhas dizem que
Michael fugiu, e teria se virado ao ouvir mais tiros. A partir daí, os relatos
diferem substancialmente: segundo uns, ele caminhou na direção do policial
Wilson, numa atitude ameaçadora, antes de ser morto; outros, como Dorian
Johnson, amigo de Michael, afirmam que ele não estava andando e até tinha
erguido as mãos para o alto ao receber os tiros. Os resultados da autopsia
solicitada pela família mostram que Michael foi atingido por seis tiros, dois
deles na cabeça.
Outro negro é morto
pela polícia
Durante o dia de ontem, o
procurador-geral Eric Holder visitou vários locais de Ferguson, incluindo um
colégio da comunidade e um restaurante próximo à rua onde Michael foi morto.
Ele conversou com moradores e também se encontrou com autoridades. Na terça-feira,
Holder prometeu que a investigação será “completa, imparcial e independente”,
mas ressaltou que “levará tempo”.
— Nossa investigação será
diferente — afirmou Holder, em entrevista ontem, entre oficiais federais no
Missouri, incluindo o agente do FBI a cargo do caso, William Woods, e o
procurador federal Rich Callahan.
À noite, Holder se reuniu com
os pais de Michael Brown, no escritório da Procuradoria-Geral dos EUA em Saint
Louis. Ele prometeu que experientes agentes federais vão investigar independentemente
se houve qualquer violação dos direitos civis relacionados à morte do jovem
negro.
Na terça-feira, à noite,
centenas de manifestantes protestaram perto do local onde Michael foi morto.
“Não disparem!”, gritavam eles diante da tropa de choque, com os braços para o
alto, gesto adotado como símbolo para o caso. Mas, por volta da meia-noite
(hora local), os manifestantes foram dispersados, sem o uso de gás
lacrimogêneo.
— Esta noite, assistimos a
una dinâmica diferente — declarou o comandante Ron Johnson, destacado da
Polícia Rodoviária Estadual para chefiar as tropas locais em Ferguson.
Entretanto, uma hora depois,
47 pessoas foram detidas, após garrafas com urina terem sido lançadas contra a
polícia. Johnson informou que foram apreendidas três armas de fogo. Ontem
ainda, moradores acusaram a polícia de uso excessivo da força, após dois
policiais dispararem e matarem um jovem negro de 23 anos, que portava uma faca,
num bairro perto de Ferguson. Ele não teria obedecido às ordens para que se
ajoelhasse. E o policial que apontou um fuzil em direção a manifestantes em um
dos protestos foi afastado das ruas e suspenso indefinidamente.
Fonte:http://oglobo.globo.com/mundo/lideres-negros-querem-troca-de-promotor-branco-no-caso-brown-13677751
Comentário:
As versões para o assassinato de Michael Brown dadas pelos policiais não fazem muito sentido já que não tem como um policial dar 6 tiros, sendo 2 na cabeça, acidentalmente em um cidadão comum, só poderia ter intenção de matar.
Mesmo que Michael tivesse roubado uma loja, não seria motivo para ser assassinado. Um dos motivos dados pela população é que o policial, que era branco, tinha preconceito com os negros (Michael era negro).

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