sábado, 4 de maio de 2013

ÉTICA E CIDADANIA


Moradores da Maré acusam PMs de truculência durante operação
Homens do BPChoque e do Bope teriam invadido imóveis da favela



Casa revirada. O fotógrafo Ubirajara Carvalho: equipamento danificado
Foto: AF Rodrigues / Divulgação
Casa revirada. O fotógrafo Ubirajara Carvalho: equipamento danificado AF Rodrigues / Divulgação

RIO — Uma operação conjunta de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque da PM (BPChoque) na quinta-feira, nas favelas Parque União e Nova Holanda, no Complexo da Maré, foi alvo de denúncias de moradores. Segundo eles, casas foram invadidas pelos policiais, que teriam revirado roupas e quebrado objetos. Até uma quantia em dinheiro teria desaparecido durante as incursões, feitas sem mandados de busca e apreensão, segundo moradores.

Fotografias postadas por moradores correram as redes sociais. Numa das imagens, o equipamento do fotógrafo Ubirajara Carvalho aparecia dentro do vaso sanitário, com as lentes quebradas.

— Eu não cheguei a ver a ação, mas encontrei tudo revirado. Gostaria de entender qual a razão de tanta brutalidade — disse o fotógrafo.

Em nota, o Bope informou na noite de quinta-feira ter instaurado Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias em que o morador “teve pertences revirados e destruídos.” Ainda de acordo com a nota, a denúncia foi encaminhada por moradores “ao comando do 22º BPM e imediatamente informada ao comandante interino do Bope.” Procurada pelo GLOBO, a Secretaria de Segurança Pública não quis se pronunciar sobre a operação na Maré.


 REAÇÃO DA POPULAÇÃO:


NOTÍCIAS

Reação de moradores leva polícia civil a investigar ação da PM



Eliana Silva, diretora da Redes, acompanha o delegado da 21ªDP e o perito do ICCE pelas ruas da Nova Holanda. Foto: Rosilene Miliotti

A operação realizada na última quinta-feira, 2 de maio, pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pelo Batalhão de Choque, com o apoio do 22º BPM, fez moradores reviverem o terror de ter suas casas invadidas pelos próprios policiais. Em pelo menos quatro casas da Nova Holanda, os moradores tiveram prejuízos materiais, entre eles o fotógrafo Ubirajara Carvalho, o Bira, que é cadeirante e teve sua câmera fotográfica destruída e jogada no vaso sanitário. Os demais moradores preferiram não se identificar; um deles sofreu agressões físicas.


Os casos foram denunciados e, na sexta (03/05), um perito do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e um delegado da 21ª DP estiveram na Maré para averiguar os fatos. As casas foram periciadas. Da parte da PM, a Corregedoria da Polícia Militar ficou de investigar os policiais denunciados. Bira levou o caso também para aComissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Alerj).

Segundo relato do morador de uma das casas, quando ele disse para os policiais que a ação sem mandado de busca e apreensão era ilegal, o PM respondeu que isso era “discurso de direitos humanos”. Segundo este morador, em vários momentos, os policiais tentaram intimidá-lo.

Os abusos cometidos pelos policiais tiveram grande repercussão nas redes sociais (facebook e twitter), o que contribuiu para a publicação de matérias na imprensa corporativa, denunciando a invasão das casas. Tanto a TV Globo quanto os jornais O Globo, Extra, JB e O Dia fizeram reportagens.


Um comentário:

  1. Eu acho que não pode invadir a casa das pessoas como fizeram na Maré. Só porque elas moram na favela não quer dizer que a polícia pode fazer isso com as casas. Eu tenho a certeza de que se fosse em qualquer outro bairro do Rio, mesmo que pobre, eles não fariam isso com as casas. Quanto à reação da população, eu acho que eles estão certos em chamar a polícia para investigar. Isso é um grande exemplo de resgate da cidadania dessas pessoas.

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