Moradores da
Maré acusam PMs de truculência durante operação
Homens do BPChoque e
do Bope teriam invadido imóveis da favela
Casa revirada. O fotógrafo Ubirajara Carvalho: equipamento
danificado AF Rodrigues / Divulgação
RIO — Uma operação conjunta de policiais do Batalhão de Operações
Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque da PM (BPChoque) na quinta-feira, nas
favelas Parque União e Nova Holanda, no Complexo da Maré, foi alvo de denúncias
de moradores. Segundo eles, casas foram invadidas pelos policiais, que teriam
revirado roupas e quebrado objetos. Até uma quantia em dinheiro teria
desaparecido durante as incursões, feitas sem mandados de busca e apreensão,
segundo moradores.
Fotografias postadas por moradores correram as redes sociais. Numa das
imagens, o equipamento do fotógrafo Ubirajara Carvalho aparecia dentro do vaso
sanitário, com as lentes quebradas.
— Eu não cheguei a ver a ação, mas encontrei tudo revirado. Gostaria de
entender qual a razão de tanta brutalidade — disse o fotógrafo.
Em nota, o Bope informou na noite de quinta-feira ter instaurado
Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias em que o morador
“teve pertences revirados e destruídos.” Ainda de acordo com a nota, a denúncia
foi encaminhada por moradores “ao comando do 22º BPM e imediatamente informada
ao comandante interino do Bope.” Procurada pelo GLOBO, a Secretaria de
Segurança Pública não quis se pronunciar sobre a operação na Maré.
Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/moradores-da-mare-acusam-pms-de-truculencia-durante-operacao-8274751
NOTÍCIAS
Reação de moradores
leva polícia civil a investigar ação da PM
Eliana Silva, diretora da Redes, acompanha o delegado da 21ªDP e o perito do ICCE pelas ruas da Nova Holanda. Foto: Rosilene Miliotti
A operação realizada na última
quinta-feira, 2 de maio, pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pelo
Batalhão de Choque, com o apoio do 22º BPM, fez moradores reviverem o terror de
ter suas casas invadidas pelos próprios policiais. Em pelo menos quatro casas
da Nova Holanda, os moradores tiveram prejuízos materiais, entre eles o
fotógrafo Ubirajara Carvalho, o Bira, que é cadeirante e teve sua câmera
fotográfica destruída e jogada no vaso sanitário. Os demais moradores
preferiram não se identificar; um deles sofreu agressões físicas.
Os casos foram denunciados e, na
sexta (03/05), um perito do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e
um delegado da 21ª DP estiveram na Maré para averiguar os fatos. As casas foram
periciadas. Da parte da PM, a Corregedoria da Polícia Militar ficou de
investigar os policiais denunciados. Bira levou o caso também para aComissão de Direitos
Humanos da Assembleia Legislativa (Alerj).
Segundo relato do morador de uma das
casas, quando ele disse para os policiais que a ação sem mandado de busca e
apreensão era ilegal, o PM respondeu que isso era “discurso de direitos
humanos”. Segundo este morador, em vários momentos, os policiais tentaram
intimidá-lo.
Eu acho que não pode invadir a casa das pessoas como fizeram na Maré. Só porque elas moram na favela não quer dizer que a polícia pode fazer isso com as casas. Eu tenho a certeza de que se fosse em qualquer outro bairro do Rio, mesmo que pobre, eles não fariam isso com as casas. Quanto à reação da população, eu acho que eles estão certos em chamar a polícia para investigar. Isso é um grande exemplo de resgate da cidadania dessas pessoas.
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