Pacientes têm que limpar banheiro de hospital estadual de cardiologia no Humaitá
Sem elevadores, unidade de referência suspende cirurgias. Estado promete reagendar operações, mas não há prazos
RIO — A crise financeira do governo estadual chegou ao Instituto de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá. Com o pagamento dos serviços de limpeza atrasado, pacientes estão fazendo a faxina dos banheiros, correndo risco de contaminação. Fora isso, as cirurgias na unidade de referência estão suspensas desde a última segunda-feira porque os elevadores estão parados por falta de manutenção.
Desesperados, doentes jogaram, nesta quarta-feira, pelas janelas do hospital bilhetes para os repórteres, mostrando a penúria da unidade. Num deles, um paciente diz que aguarda há cem dias por uma cirurgia para a colocação de pontes de safena, que não teria sido feita por falta de fio de sutura.
INTERNADO ESPERA HÁ 55 DIAS POR PONTE DE SAFENA
A espera por uma cirurgia no Instituto de Cardiologia Aloysio de Castro é longa para muitos pacientes, como Arlindo da Silva, de 79 anos, internado há 55 dias. Ele precisa de três pontes de safena, mas a operação já foi adiada duas vezes.
— Fizeram apenas exames no meu sogro, e ele acabou pegando uma pneumonia no hospital. Temo pela vida dele, mas quero saber onde estão os meus impostos — disse o vendedor Luiz Antônio Vital, de 41 anos, genro de Arlindo.
Já o técnico de informática Leonardo Rodrigues, de 28 anos, reclama da demora para que a cirurgia de seu pai, Luiz Emílio da Silva Rodrigues, de 51 anos, seja marcada. O doente foi internado há 15 dias no instituto, depois de passar duas semanas numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Nova Iguaçu.
— Meu pai precisa de quatro pontes de safena e nem marcaram a cirurgia. Ele passa mal todos os dias. Os médicos são bons, mas eles precisam de material para trabalhar e tudo está faltando — contou Rodrigues.
De acordo com ele, pacientes internados no mesmo quarto do seu pai ficaram em quarentena devido ao risco de contaminação. A bactéria E.coli, que atinge o intestino, foi detectada num doente que deu entrada no hospital há dez dias. A direção do instituto informou que não há ninguém em quarentena, e que pacientes que tiveram contato com a pessoa infectada estão sendo monitorados.
CONSERTO DE ELEVADORES
Um funcionário do hospital, que pediu para não ser identificado, disse que o problema se arrasta desde o início do ano.
— O pior é quando morre alguém. Os maqueiros precisam descer o corpo pelas escadas. Só há dinheiro para reformar a fachada — reclamou o servidor, chamando a atenção para a obra que está sendo feita no hospital no valor de quase R$ 1 milhão.
A Secretaria estadual de Saúde afirmou que três dos quatro elevadores foram consertados nesta quarta-feira à tarde. Um dia antes, nenhum deles estava funcionando. As cirurgias adiadas, segundo a secretaria, serão reagendadas. O órgão, porém, não divulgou prazo para atender todos os pacientes. O governo informou ainda que a empresa que presta o serviço de limpeza recebeu nesta quarta-feira um novo repasse de verba.
Comentário:
As pessoas procuram o hospital para serem tratadas e se recuperarem de doenças que levou-as até lá. Nenhum paciente deve limpar seu quarto e banheiro em um hospital quando há equipes contratadas para fazer isso.
Fazer alguém esperar 15, 55 ou até mesmo 100 dias por uma cirurgia é um absurdo e aí nos perguntamos, onde foi parar essa verba?
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