quarta-feira, 10 de junho de 2015

CIÊNCIAS-2ºbimestre-2015

Lagoa Rodrigo de Freitas, no coração da Zona Sul: o bairro é o destino de 120 000 cariocas por fim de semana, em busca de diversão, esporte e gastronomia
Às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, a vida segue célere. A ciclovia e pista de caminhada de 7,8 quilômetros, construída em suas bordas, divide a preferência dos cariocas com o calçadão de Ipanema e Leblon. Semanalmente, 1 000 corredores se exercitam por ali, lado a lado com atletas amadores, moradores e turistas. Nos fins de semana, os três parques que rodeiam o cartão-postal – Patins, Taboas e Cantagalo – recebem 120 000 pessoas em busca de lazer, entretenimento e dos quinze quiosques de alimentação. De frente para o espelho-d’água, por onde deslizam remadores, esquiadores e pedalinhos, ficam alguns dos prédios mais valorizados do Rio de Janeiro, com apartamentos de dois quartos avaliados em 540 000 reais – no ranking do mercado imobiliário, o bairro perde apenas para o Leblon. 


Nem sempre foi assim. O cenário idílico ressurgiu nos últimos anos, graças ao renascimento de uma lagoa que chegou a estar na UTI: dos 16 000 coliformes fecais por 100 mililitros de água registrados em 2006, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) aponta atualmente 1 300. O número ainda é alto – 300 acima da marca indicativa de que a área é própria para banho –, mas a situação melhorou muito. Durante três verões consecutivos, entre 2000 e 2002, moradores, pescadores e esportistas assistiram, desconcertados, à mortandade de 236 toneladas de peixes, provocada por um sistema arcaico de ligação com o mar e, sobretudo, pelos despejos clandestinos de esgoto – um estudo chegou a indicar 340 ligações piratas na bacia hidrográfica. Do lado de fora, corredores trocavam suas pistas pelas da Praia de Ipanema. Dentro, remadores que insistiam no esporte ganhavam micoses na pele e passavam mal. "Tínhamos um balão de oxigênio na garagem para os atletas", lembra Juarez Fernandes, o Joy, remador do Flamengo. "As pessoas corriam poucos metros e desistiam", conta Luciana Toscano, treinadora de corrida. "Ninguém aguentava o cheiro." 


Depois do desastre ambiental, vieram as providências. Na primeira delas, em 2001, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), pressionada pelo Ministério Público, inaugurou uma galeria de cintura, tubulação construída para impedir que os resíduos invadissem as passagens de águas pluviais, desviando-os para o emissário de Ipanema. Em 2007, a reforma de seis das oito elevatórias da Zona Sul mostrou resultados imediatos, junto com o monitoramento das ligações clandestinas que teimam em aparecer. "Temos doze homens que verificam diariamente 500 pontos da Lagoa", diz o presidente da Cedae, Wagner Victer. "Muita gente dava a região como perdida, mas não podíamos desistir." A estilista Lenny Niemeyer, moradora do bairro há 27 anos e praticante de esqui aquático por quinze, havia abandonado o esporte. Voltou ao constatar a melhora da água. "A poluição tinha me desmotivado", afirma. "Esse visual não podia ser desperdiçado." A atriz Helena Fernandes concorda: "Viver aqui é uma dádiva".


Em 1906, em foto de Augusto Malta: antes dos vários aterros que a lagoa sofreu ao longo dos anos, a ligação com o mar era direta
O renascimento da Lagoa é visível: o mau cheiro acabou e sua coloração é mais límpida. Mas ainda há sérios obstáculos a ser enfrentados sob o espelho-d’água. A emissão de dejetos durante décadas e a ação natural de chuvas e ventos criaram uma base putrefata. A situação é agravada por duas grandes crateras – uma entre os clubes Caiçaras e Flamengo, outra em frente ao Cantagalo – que surgiram devido à retirada de material para aterros. Esses buracos, que chegam a 9 metros de profundidade – a Lagoa tem, em média, 3,8 metros da superfície ao fundo –, contêm matéria orgânica em decomposição, sem oxigênio, produzindo gases tóxicos como o sulfídrico e o metano. Quando emergem para a superfície, na maioria das vezes pela ação de frentes frias e ventos fortes, os dois consomem muito oxigênio, causando a morte dos peixes por asfixia. 

"O progresso é claro, mas ainda há fragilidades", aponta Fátima Soares, gerente de qualidade ambiental do Inea. "Temos, por exemplo, a questão das algas, que conferem uma coloração diferente à água e causam desequilíbrio no sistema." Paulo Rosman, coordenador do projeto de modernização do Jardim de Alah e professor da área de engenharia costeira da Coppe, o programa de pós-graduação e pesquisa em engenharia da UFRJ, compara o estado do ecossistema ao de um doente.

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cidade/conteudo_484435.shtml

Comentário:

  Se for parar pra pensar, a poluição da Lagoa Rodrigo de Freitas é algo muito sem sentido porque quem mais polui é quem mais utilizam o espaço em busca de lazer e exercícios.

  É um absurdo as pessoas correrem poucos metros e desistirem por causa do cheiro do local. Muitos atletas treinam lá e uma uma ótima iniciativa seria tentar despoluir esse grande ponto da cidade.
  Se todos colaborassem, teríamos um lugar melhor e mais adequado para prática de esportes e diversão na cidade.

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