POR ANTONELLA ZUGLIANI
16/08/2014 8:00
Estudo mostra que quanto menos gravidade, maior a possibilidade de cáries
Segundo dentista
brasileira que pesquisou a questão, placa com bactérias é duas vezes e meia
maior nos astronautas
RIO - Os primeiros astronautas a embarcarem numa missão
com destino a Marte enfrentarão problemas que nem imaginam, mas pelo menos um
deles a dentista e diretora do curso de Farmacologia da faculdade de
Odontologia da New York University (NYU) Simone Duarte, de 38 anos, já previu:
cáries. A brasileira conduz uma pesquisa que revelou que a massa do biofilme (a
comunidade de microorganismos que vive nos dentes) formada na microgravidade é
duas vezes e meia maior do que a formada na terra. O biofilme oral (também conhecido
como placa dental) pode se tornar tão resistente que possivelmente nem a
escovação evitaria a formação da temida cárie nos astronautas.
— Usamos um equipamento de simulação de microgravidade
para formar um biofilme com bactérias que causam cárie (Streptococcus
mutans) — explica Simone. — Utilizei essas bactérias principalmente porque
elas formam um biofilme bem rico quando na presença de açúcares, que na
natureza ficam aderidos aos dentes, aumentando, assim, o risco do problema.
TRATAMENTO SERIA QUÍMICO
O interesse no assunto surgiu ainda na graduação na
Unicamp, quando Simone fazia iniciação científica. Nessa época, ela já buscava
conhecer melhor a placa dental para tentar tratá-la adequadamente. Assim,
realizou estudos com o própolis e o suco de cranberry, entre outros, para
possivelmente chegar a um agente de prevenção.
Com os testes na microgravidade simulada, Simone
pretende encontrar alguma outra forma de tratamento que seja químico, já que o
mecânico, a escovação, não seria suficiente. A professora levou seu trabalho
para ser apresentado na Conferência de Desenvolvimento e Pesquisa na Estação
Espacial Internacional.
— Eu era a única dentista no congresso. Todos viravam
para mim e perguntavam:
“Você é que é a dentista?” — conta.
Dentre as cerca de 200 pessoas no evento, o diálogo com
o astronauta americano Donald Pettit foi o que mais marcou Simone.
— Ele me contou que, no treinamento para as missões,
eles são instruídos a remover o dente quando sentem dor — disse. — Muito por
conta disso, os americanos costumam fazer uma seleção rigorosa dos candidatos a
astronauta quanto à saúde bucal.
DOENÇAS INFECCIOSAS, NOVO ALVO
Apesar de sua especialidade ser o biofilme oral, a
dentista está investigando também algumas abordagens para tratar de doenças infecciosas
associadas a outros biofilmes que se formam em períodos prolongados no espaço,
podendo prevenir até a contaminação de água na estação espacial.
— A boca é muito boa como parâmetro, pois conhecemos
muito sobre ela — afirmou.
Comentário:
Escovar os dentes não é importante só para ficar com uma boa aparência, mas também para prevenir doenças bucais. Pode parecer estranho, mas com uma saúde bucal ruim você pode ser reprovado pela NASA. Segundo a pesquisa da doutora Simone Duarte, as doenças bucais são mais propícias lá em cima e se você ficar doente por lá, não terá um dentista para te atender.
A doutora Simone Duarte é dentista, porém tem curiosidade em pesquisar também sobre doenças infecciosas no espaço, o que é inédito, mas por enquanto sua pesquisa sobre doenças bucais já está ajudando muito os astronautas a ter uma ''viagem'' mais confortável.
A ''cura'' ainda não foi descoberta, é só uma pesquisa, e pode não ser completamente verdade, mas já ajuda muito quando o objetivo é não arrancar nenhum dente durante a viagem pelo espaço. Enquanto isso acho bom as pessoas (sendo ou não astronautas) cuidarem dos seus dentes aqui pela terra!

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